Bahia (BA), 23 de outubro de 2025 – Em outubro, a Aliança Futuri realizou os últimos webinars da série “Mutirão Futuri: Turismo Regenerativo e o Caminho para a COP30”. Fruto de uma parceria com a Conservação Internacional (CI-Brasil), os debates aprofundaram o papel das comunidades tradicionais, das Unidades de Conservação e da cooperação entre diferentes setores na construção de uma agenda de turismo regenerativo conectada à 30ª Conferência das Partes da Convenção do Clima da ONU (COP30).
No terceiro encontro, com o tema “Saber Ancestral”, os participantes discutiram como os conhecimentos tradicionais – vividos, transmitidos e fortalecidos por povos indígenas e comunidades locais – são fundamentais para a conservação da biodiversidade e a resiliência dos territórios frente às mudanças do clima. O diálogo reuniu Frederico Pereira, diretor do Instituto Maturembá; Piatã Pataxó, liderança da Aldeia Gurita e presidente do Instituto Maturembá; Pedrina Reis, diretora da Associação de Marisqueiras e Pescadoras de Belmonte / Sustentamar; e Alice Pataxó, ativista e comunicadora indígena.



As falas reforçaram que o turismo regenerativo só se sustenta quando reconhece que os povos originários e tradicionais são guardiões essenciais da natureza e protagonistas das soluções climáticas. “Esses modos de vida e esse empoderamento local… isso é regenerar […]. São os povos originais, os povos ancestrais, os verdadeiros guardiões dos ecossistemas conservados”, pontuou Victor Libardi, assistente de projetos da CI-Brasil e mediador do painel.
Encontro final posicionou o turismo regenerativo na agenda da COP30
Já o quarto e último webinar, “O Futuri que queremos”, marcou o encerramento do ciclo preparatório para a COP30 e ampliou o debate para a contribuição do turismo regenerativo às metas climáticas brasileiras e à agenda global.
O encontro contou novamente com a mediação de Victor Libardi e reuniu Bruno Pastre Máximo, da Coordenação-Geral de Turismo Sustentável e Responsável do Ministério do Turismo; André Guimarães, diretor executivo do Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (IPAM) e Enviado Especial da Sociedade Civil para a COP30; e Cleiuodson Lage, gestor da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Rio do Brasil, voluntário Futuri e integrante da Rede Trilhas. A conversa destacou a importância da cooperação entre governo, sociedade civil e comunidades para transformar o turismo em ferramenta de valorização da “floresta em pé” e dos ecossistemas costeiros e marinhos.
Nesse contexto, os participantes foram convidados a contribuir com a construção da Carta-Manifesto pelo Turismo Regenerativo, em elaboração liderada pela Futuri para ser apresentada durante a conferência climática. “A gente faz um chamamento para os Aliados contribuírem com nosso Manifesto porque a COP30 é uma grande oportunidade para colocar os territórios, as comunidades e a biodiversidade no centro das decisões globais sobre o clima”, destacou Victor.
Ao concluir os quatro encontros do Mutirão Futuri, a Aliança consolidou um espaço de diálogo e construção coletiva que fortaleceu a elaboração da Carta-Manifesto e posicionou o turismo regenerativo como estratégia concreta de mitigação e adaptação às mudanças do clima.
Na ocasião, foi apresentada a aliada selecionada para representar a Futuri na COP30 em Belém, PA. A partir de um processo democrático de indicações, através de um formulário circulado na rede de aliados, Tatiana Paixão foi a mais votada e contou com apoio financeiro e logístico para representar a Futuri em eventos já programados na Conferência, com a oportunidade de compartilhar a experiência da Aliança com outros atores estratégicos no tema.
Sobre o Mutirão Futuri
A série de webinars “Mutirão Futuri: Turismo Regenerativo e o Caminho para a COP30” é organizada pela Aliança Futuri em parceria com a Conservação Internacional (CI-Brasil) e apresenta a rede como um coletivo multissetorial que promove o turismo regenerativo no sul da Bahia como resposta à crise climática e à crise da biodiversidade.
No primeiro seminário, os participantes comentaram as expectativas do turismo regenerativo na agenda climática internacional. Já o segundo webinar teve focou na “Ciência como experiência”.
Com foco na COP30, realizada no Brasil, os participantes constroem de forma colaborativa um manifesto para posicionar o turismo como peça-chave na agenda global de mitigação e adaptação climática. A iniciativa busca democratizar o acesso à natu reza e fortalecer a resiliência socioeconômica das populações tradicionais da região.
