Belém (PA), 11 de novembro de 2025 – Durante a 30ª Conferência das Partes da Convenção do Clima da ONU (COP30), a Aliança Futuri apresentou sua Carta-Manifesto pelo Turismo Regenerativo e defendeu o reconhecimento do setor como parte das soluções para a crise climática e a crise da biodiversidade. Construído de forma participativa com comunidades locais, organizações da sociedade civil, empreendedores, pesquisadores e gestores públicos do Extremo Sul da Bahia, o documento apresenta o turismo regenerativo como uma Solução Baseada na Natureza (SBN) capaz de integrar conservação, cultura e economia sustentável.
A Carta-Manifesto defende a incorporação do turismo regenerativo às estratégias nacionais de clima e biodiversidade, em alinhamento com o Acordo de Paris (2015), o Marco Global da Biodiversidade (2022) e a Agenda 2030. O documento destaca o potencial do setor para gerar empregos verdes, fortalecer economias locais e valorizar a diversidade natural e cultural, diretamente alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 8, 12, 13 e 14. Em um contexto em que o turismo brasileiro movimentou mais de R$ 207 bilhões em 2024, a Aliança ressaltou que esse peso econômico pode ser direcionado para impulsionar uma economia regenerativa e inclusiva, desde que orientado por práticas sustentáveis e pela liderança das comunidades nos territórios.
“O turismo regenerativo é uma das formas mais poderosas de reconectar economia, natureza e cultura. Quando comunidades, empreendedores e visitantes compartilham o propósito de regenerar territórios, o turismo deixa de ser apenas uma atividade econômica e se torna uma estratégia concreta de enfrentamento da crise climática e de valorização do capital natural e cultural. O Brasil tem tudo para liderar essa transformação global, e fazê-lo a partir de um modelo justo, colaborativo e enraizado nos saberes de quem vive e cuida do território”, afirmou Nátali Piccolo, Diretora de Conservação Marinha e Costeira da Conservação Internacional (CI-Brasil) – uma das organizações fundadoras da Aliança.
Com cerca de três anos de atuação e a articulação de aproximadamente 300 aliados, a rede criou o Roteiro Futuri, conectando experiências regenerativas em 10 municípios e 373 quilômetros de costa, incluindo gastronomia, cultura, conservação marinha e turismo comunitário. Por meio de ciclos de mentoria e capacitação técnica, a Futuri apoia o desenvolvimento de negócios locais inovadores, como pousadas comunitárias, experiências gastronômicas com produtos locais,expedições culturais e de turismo de observação de fauna, guiadas por jovens do território. A CI-Brasil complementa a atuação com projetos de fortalecimento de negócios que unem pesca artesanal e sustentabilidade em unidades de conservação costeiras.
A líder comunitária e empreendedora Pedrina Reis da Sustentamar, mentoranda do projeto em Belmonte, ressalta a importância desse movimento: “O turismo que traz vida é o turismo que regenera. Por isso, a gente precisa lutar para que nós, povos e comunidades tradicionais, consigamos permanecer nos nossos territórios.”
A Aliança Futuri convida o setor e a imprensa a reconhecerem que “quando comunidades lideram o turismo regenerativo, elas não apenas preservam seus territórios: fortalecem culturas, promovem inclusão e inspiram novos modelos de economia sustentável.”
Acesse a Carta neste link.




Turismo regenerativo em debate na COP30
Durante a COP30, a Futuri também colocou o turismo regenerativo no centro do debate climático ao realizar o painel “Viajar para Regenerar: o turismo como parte da solução climática”, no dia 11 de novembro, na Casa Voz dos Oceanos. O encontro reuniu o Ministro do Turismo, Celso Sabino, representantes de comunidades tradicionais, pesquisadores e empreendedores para discutir como o setor pode contribuir de forma estruturante para a mitigação e adaptação às mudanças do clima.
A discussão reforçou a necessidade de inserir territórios, comunidades e experiências de turismo nas decisões climáticas, mostrando que o turismo regenerativo é uma solução real para gerar renda, conservar ecossistemas e impulsionar políticas públicas que alinhem desenvolvimento e ação climática.
“O turismo regenerativo é uma estratégia concreta de ação climática. Em territórios como o Extremo Sul da Bahia, tem contribuído para conservar recifes de coral, restaurar florestas e fortalecer economias locais. Quando ciência, saberes tradicionais e políticas públicas atuam de forma integrada, o turismo passa a gerar benefícios diretos para as pessoas e para os ecossistemas”, afirmou Nátali, moderadora do painel.
No painel, a Futuri apresentou a experiência acumulada de articulação multissetorial que reúne povos indígenas, marisqueiras, pescadores artesanais, quilombolas, empresários e gestores públicos na construção de um modelo de turismo que integra conservação, regeneração e economia local em uma das regiões mais biodiversas e culturalmente ricas do país.